[relato] mais Buenos Aires, menos Córdoba

Depois de alguns dias sem escrever, voltei para dar continuidade aos relatos da viagem que fiz à Argentina em Julho/2014. Só pra relembrar, no último post contei como foi a minha primeira noite no aeroporto em BsAs, o rolezinho em San Telmo e a chegada ao hostel e, a seguir, conto como foram os dois dias seguintes: um em BsAs e outro em Córdoba, com direito a Liniers, nascer do Sol e vinho de 3 reaisBoa viagem!

 21/07 – CAMINHADA PORTEÑA

Depois de uma noite digna no Hostel Sol, acordei cedo pra já pegar o desayuno – que normalmente acontece das 8h às 10h. Acho que esse café da manhã foi um dos mais simples que encontrei pelos hostels que passei….café, chá e medialunas – just it, sem frutas, cereais, pães etc. Mas, sem frescuras, como boa mochileira que sou, comi medialunas suficientes pra aguentar até a próxima refeição – que eu não fazia ideia de que horas aconteceria! Arrumei minhas coisas, coloquei o mochilão nas costas – já que na mesma noite eu iria para Córdoba – fiz o check-out que vai até 10h30 –  e fui aproveitar o dia na cidade porteña.

roteiro do segundo dia
roteiro do segundo dia

Minha primeira parada do dia era a rodoviária – ao lado da estação Retiro – porque queria comprar logo minha passagem* pro próximo destino, Córdoba. Fui caminhando -uma meia hora – do hostel até lá e confesso que fiquei um pouco desanimada. Não sei…eu não estava tão feliz por ir pra Córdoba e cheguei a cogitar a desistência, mas queria muito conhecer Alta Gracia (ali do lado), então, pesquisei preços em alguns guichês e, depois de perceber que todos têm valores bem parecidos, comprei com a Sierra de Córdoba por 395 pesos, saindo as 23h.

Outros valores e destinos
Trem BsAs x Rosário: 70 p – 4 horas
Ônibus BsAs x Mendoza: 630 p – 12h

*Meu desejo era ir até Córdoba no trem da Ferrocentral, com a passagem mais barata custando 30 pesos, mas estavam em reforma até agosto….. O trem sai somente nas segundas e quintas; é possível comprar pela internet (mas as vendas online estão suspensas por enquanto) e o guichê deles na estação Retiro, em BsAs, fecha aos domingos. Para ver horários, dias, trajeto e outras informações, visitem o site da empresa. Saindo da rodoviária, compreis 3 alfajores por 5 pesos (meldels, que barato!) e segui para a exposição do Liniers – um ilustrador porteño – que tava rolando por ali, no Centro Cultural Borges, que descobri através do blog Aires Buenos e pelos anúncios espalhados por BsAs. Paguei 35 pesos (meia-entrada…ae, usei minha carteirinha de estudante!!) para entrar e, infelizmente, tive que ir com o mochilão nas costas, já que eles não tem luga pra colocar os pertences =(

Liniers!
Liniers!

Uma fofura de exposição – assim como as tirinhas do Liniers! Super interativa e colorida.

Saindo de lá, fui caminhar pela El Libertador, uma das avenidas principais ali do centro de BsAs e que me levaria – meio que sem querer –  a vários pontos turísticos, como ao Teatro Cólon – gigante e lindo – e ao Cemitério da Recoleta. Meu objetivo era justamente esse: caminhar e conhecer  a cidade “sem querer”, observar as ruas, os prédios, as pessoas… me perdi um pouco no caminho, acho que passei umas 3 vezes pela mesma praça, mas cheguei. O cemitério, como qualquer outro, é meio sinistro, mas eu gostei, principalmente pela arquitetura do lugar e dos túmulos. Em frente, tem um gramado bem bonito e gostoso pra sentar e comer um lanche monstruoso de linguiça, que me custou 20 pesos, além de estátuas do Maradona e do Messi e restaurantes onde é possível sentar, relaxar e tomar uma Quilmes.

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fim de tarde com a florzinha de metal!
fim de tarde com a florzinha de metal!

Dali, fui andar mais um pouco pela El Libertador…e, sem querer, ao atravessar a ponte que fica ali perto, dei de cara com a Faculdade de Direito e Ciências Sociais da UBA que é l i n d a…puta merda! Parece coisa de filme….e bem ao lado fica a Floralis Generica (dei uma googlada pra descobrir o nome hehehe) que também é linda e tem um espaço bem gostoso ao redor pra sentar e ler um livro, coisa que fiz até anoitecer…joguei a mochila ali, deitei e li várias páginas do On The Road. Em algum blog li que, antes, essa florzinha abria e fechava, de acordo com a luz do sol…uma pena que não acontece mais isso. Além disso, ali perto também está a Biblioteca Nacional,…vale a pena dar um pulo lá!

Depois de um dia bem tranquilo e de muita caminhada, voltei pra rodoviária pra esperar meu busão. Fui no banheiro, dei um tapa no visu (mentira, só escovei os dentes e passei um desodorante pra segurar a barra)  e fui pro portão onde eu embarcaria. RESUMINDO MEU DESESPERO: a plataforma de embarque NÃO vem definida no bilhete, como acontece aqui no Brasil…você tem que ficar de olho nas TVs espalhadas pela rodô e nos megafones (?). MAS eu não sabia que demoraria tanto….Agora, imaginem meu desespero achando que perdi o busão?! Faltavam 10 minutos pro meu bus sair e eu não fazia a menor ideia de qual era a plataforma…..mas finalmente a TV anunciou e embarquei tranquila hahahaha

 22/07 – NASCER SÓBRIA, TERMINEI BÊBADA

A viagem foi tranquila e cheguei em Córdoba as 06h30, com o céu ainda escuro. Dei uma passada no banheiro (5 pesos pelo papel higiênico) e depois entrei na internet (7 pesos/30 min), pra buscar o que fazer e onde ficar em Córdoba e avisar a minha host de Mendoza que na noite seguinte embarcaria pra lá. Na verdade, eu ficaria 3 dias inteiros lá…mas desde BsAs eu estava com um pé atrás com a cidade e realmente não me senti bem ali. Todos me trataram bem, a rodoviária é super limpa e tranquila, mas simplesmente não me senti bem lá; coisa de energia, vai entender.

“Com fome e pensando: serã que Córdoba vale a pena?” anotações de um caderno.

Enfim! Depois de me conectar um pouco, fui buscar a passagem pra Mendoza, pra não correr o risco de ficar sem. Parei na fila de uma empresa, mas demoraram muito pra atender a pessoa que estava na minha frente, então pensei: “vou dar uma olhada no guichê ao lado e depois volto aqui pra comparar os preços”, SÓ QUE eu não sabia que a empresa ao lado estava com promoção ❤ Uma passagem que planejei pagar uns 500-600 pesos, encontrei por 334! Sem dúvida nenhuma, já comprei a minha pra embarcar no outro dia as 21h.

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Feliz da vida, subi para o segundo andar da rodô – onde tem um mercado – pra garantir meu desayuno: 4 medialunas + 1L de suco por 21 p. Saindo, bem em frente, vi umas portas de vidro que davam pra uma espécie de “varanda” do lado de fora…como estavam abertas, resolvi ir lá pra fora – e essa foi uma das melhores coisas que fiz. Nunca vi um nascer do sol tão incrível como aquele.

nascer do sol em Córdoba E, desse momento, nasceu o “Viajar por que?”

Fiquei ali pensando na vida, admirando o nascer do sol, relaxando. Fazendo o que eu realmente busco quando viajo: pausando o corpo e a mente.

Até que uma senhorita chegou ali e puxou assunto (acho que perguntou se eu tinha mate) e trocamos uma ideia. Ela me contou sobre a cidade, me recomendou um hotel (de 120 pesos), me deu dicas – como a de pedir informações para policiais e tomar cuidado pela cidade etc. Eu fiquei meio desconfiada no começo – até porque ela pediu meu Facebook e até foto tirou (acho que pra mandar no Whatsapp pra alguém); depois, me levou pra rua Correntes (do ladinho da rodoviária e onde tem vários hoteis),  me explicou onde era o hotel que ela tinha comentado e me mostrou um posto policial pra eu pedir informações. Pra vocês terem uma noção de como eu tava desconfiada – e como sou besta – confesso que passou pela minha cabeça que ela era líder de um grupo que sequestrava turistas e que enviou minha foto pra galera me reconhecer e raptar a pessoa certa. HAHAHAHAHAH

Nada aconteceu e, depois que nos separamos, fui buscar o Alvear Hostel – que fica na rua General Alvear – o primeiro da minha lista, já que era o mais barato. Pedi informação pra várias pessoas – desde donos de banca de jornal até pessoas aleatórias na rua – e todas foram bem simpáticas; cheguei rapidinho lá. Paguei 60 pesos (?) pelo quarto coletivo com 10 camas e banheiro privado, tomei um banho, dei uma relaxada nos pufs da sala e depois sai pra caminhar.

no centro de Códoba
no centro de Códoba

Passei na igreja do centro e meio perdida sem saber o que conhecer fui buscar um mapa da cidade em alguma banca…só que depois de reclamar que o mapinha estava caro (sou mão de vaca mesmo), o vendedor da banca disse que ali perto no posto de informações ao turista eles ofereciam D E G R A Ç A: corri pra lá e peguei o meu.

museo de la memóriaMas antes, caminhando por uma ruela, encontrei sem querer o Museo de La Memória que traz informações, fotos, vídeos etc que contam a história da ditadura argentina. Fiquei um bom tempo ali e, logo ao observar as primeiras informações, fotos, vídeos, paredes…me emocionei. Acredito muito na energia das coisas, pessoas e lugares porque sinto-a, algo que nasce sem eu nem perceber; e naquele lugar pude sentir algo bem forte, uma tristeza profunda por aquelas pessoas que sofreram lutando pelo seu país. Infelizmente tenho poucas fotos de lá, mas super recomendo a visita.

Depois dessa porrada na alma, fui buscar meu mapa e conhecer outros lugares da cidade.
Fui até um rio (próximo ao centro cívico) que vi no mapa e achei que era legal, me desapontei e me perdi pela cidade…com isso tudo, passei num mercado pra comprar meu almoço – pão com doce de leite – e minha janta – sopa – e decidi comprar um vinho – POR 9 PESOS!! – pra me alegrar, já que não tinha gostado muito de Córdoba e estava bem triste. *Pausa: eu nunca bebi um vinho tão barato como esse! E o melhor de tudo é que não tive ressaca no outro dia* Dali, caminhem em direção ao Parque Sarmiento que no mapa representava uma área bem grande e verde com vários pontos legais. Encontrei um cantinho (embaixo de uma árvore) pra me proteger do vento e do frio, “almocei” e fiquei lendo e bebendo.

no Mirador. Adivinhem por que a foto está tremida!
no Mirador. Adivinhem por que a foto está tremida!

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Após alguns bons goles e já um pouco boracha, decidi ir até o Mirador del Coniferal. Passei por um lago bem bonito, fiz um xixi que me custou 2 pesos e terminei o dia – bêbada – vendo o sol se por no Mirador. Depois, já de volta ao hostel, tentei fazer a minha sopa na cozinha escura – já que eu não encontrei o interruptor e não tinha ninguém por perto pra me avisar onde era – e dormir que nem um anjo! hahahaha


O próximo capítulo eu dedicarei exclusivamente para um dos pontos mais altos da viagem: o dia que visitei Alta Gracia e conheci o museu – e antiga casa – do Che Guevara. Aguardem e aproveitem as fotos abaixo! =)

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