[relato] Alta Gracia/ARG

enquanto lê, escute.


Dando continuidade ao relato da viagem que fiz à Argentina, agora em Julho (caraca, já se passaram 4 meses!), escrevo agora sobre um dos dias mais esperados e emocionantes da aventura: o dia que visitei Alta Gracia, da província de Córdoba.

Mas, por que essa cidade-meio-desconhecida foi tão marcante?

Acordei cedo, tomei o café no hostel (muito bem servido, por sinal) e perguntei para uma funcionária (tão gentil!) como eu fazia para chegar até Alta Gracia: eu deveria ir até a rodoviária e de lá pegar um ônibus desses intermunicipais. Caminhei alguns minutos – passando em frente a estação de trem fechada de Córdoba, cheguei na rodô e comprei minha passagem por 15 pesos e sai logo após 5 minutos. Uma hora depois – de estrada linda – cheguei à Alta Gracia, que me encantou pelo seu clima interiorano.

Verifiquei os horários de volta, já que meu ônibus de Córdoba para Mendoza sairia na mesma noite e eu não poderia perdê-lo de jeito algum. Depois, pedi um mapa para um funcionária da rodoviária que, gentilmente, me deu uma xérox de um mapa original.

Obs: em qualquer lugar, antes de comprar um mapa, procure por pontos de informação ao turista (ou na rodoviária mesmo); é quase certeza que terão um para te dar.

Obs 2: outra cidade que pode ser visitada é Carlos Paz. Fica pertinho de Alta Gracia e a passagem custa 16,5p.

Perguntei para a senhorita quais pontos por ali eu poderia conhecer e sai, com o mochilão nas costas, em busca de uma gruta. Caminhei uns bons minutos até chegar a um lugar com santos, velas e oferendas, onde os locais e turistas vão para agradecer e pedir – não necessariamente nessa ordem.

féEra um lugar tranquilo. Silencioso. Observei os detalhes, as mensagens; peguei um pouco da “água santa” que saia de uma torneira simples por ali e voltei, apreciando o caminho. As ruas também estavam tranquilas e silenciosas; alguns pais buscavam seus filhos na escola, outros voltavam sozinhos.

Caminhei e caminhei. Me perdi um pouquinho; pedi informação para umas três pessoas e, depois de algum tempo, avistei a placa “Museo del Che – 100m” e a euforia me invadiu.

E por que me invadiu?

Em 2013 (se não me engano), um amigo me recomendou um filme, aquele tal de Diário de Motocicleta. Assisti uma parte no youtube, mas como de costume, não terminei de ver. Um bom tempo depois, não lembro bem porquê, quis saber mais sobre a vida do Che e decidi comprar o livro De Moto pela América do Sul. E não é que me apaixonei? Não pelo guerrilheiro pelo mochileiro que encontrei no filme e no livro. Não sei quase nada sobre a sua atuação nas revoluções, na luta etc; mas o aventureiro que encontrei ali me inspirou. Inspirou meu novo mochilão, me fez querer conhecer os lugares por onde passou, encontrar gente boa como as que ajudaram ele pelo caminho. Se é verdade ou não isso tudo, não sei. Só sei que esse vagar sem rumos do Che me transformou.

Ele, que nasceu em Rosário, na Argentina, aos 11 anos se mudou com sua família para Alta Gracia por causa da sua a asma. Essa casa, hoje, é o Museo del Che – com entrada por 45 pesos para estudante (yes, minha carteirinha funcionou aqui também!)

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Voltando pro relato, ao longe, vi a casa branquinha se aproximando – junto com a felicidade.  Comprei meu ingresso, deixei a mochila e entrei.

Logo na entrada, tem uma estátua dele pequeno e, por toda a casa, frases escritas nas paredes ou em placas.
No primeiro cômodo, foi difícil segurar a emoção. Uma réplica da La Poderosa, a moto usada na sua expedição, estava ali – e até banquei de entendida explicando para os turistas que não era a moto original, já que essa se desfez durante a viagem.

No cômodo seguinte, o quarto, uma bicicleta, uma cama, escrivaninha, livros…e cadernos onde ele colocava seus rabiscos. Mais um passo, e dei de cara com a frase que resume esses últimos dois anos da minha vida: “Esse vagar sem rumo pelos caminhos de nossa Maiúscula América me transformou mais do que eu me dei conta.”. Não preciso falar que me emocionei de novo, né?!

Ok. Parei de puxar saco do rapaz. Agora, apenas resumindo o museu: história, fotos, rabiscos, itens da vida pessoal, livros dele e de pessoas relacionadas a sua história. Vale muito a pena a visita! (mesmo se você não gostar do Che, vale pela cultura)

Sai de lá feliz. E ainda mais apaixonada pela cidade.
Fui caminhando pelas ruas que o mapa me indicava que chegaria ao lago, mas como eu tava meio perdida, resolvi perguntar – com meu portuñol arranhado – em um estabelecimento. Tadinha! A mulher tava mais perdida do que eu…hahaha Mas fui reto (a regra de sempre) e cheguei no lago! Acho que é no centro da cidade.

almoço.Ali fiquei por horas. Horas suficientes pra ler, almoçar (pão com doce de leite), tirar fotos, pensar na vida, ler, receber ar gelado, olhar os patos e doer a bunda. Pensei, inclusive, no quanto não damos valor para o que temos, porque há um lago aqui na minha cidade também, mas não é sempre que vou, muito menos pra relaxar como fiz em Alta Gracia.

A cidade possui outros atrativos, inclusive museus (até fui em um, achando que era de graça. mas aí vi que tinha uma fila enorme, tinha que pagar..preferi não entrar, sei lá). Mas o que vi foi suficiente pra me apaixonar e pra querer voltar mil vezes.

Fui pra rodoviária, comprei a passagem de volta (15,5p) e fui pra Córdoba.

Como ainda estava cedo, ainda fui comer (milanesa, ovo, papas e refri = 65p) e dei uma passeada pelas ruas da cidade, que também são uma graça! Muitas luzes, muitas pessoas, igrejas…bem, depois de caminhar, voltei pra rodoviária para relaxar e esperar minha partida para Mendoza, afinal, seria mais uma noite dormindo no ônibus….

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3 thoughts on “[relato] Alta Gracia/ARG

  1. Belas fotos, principalmente a do entardecer entre os prédios.

    Com certeza que o lado mochileiro é mais interessante que o guerrilheiro. Uma pena ele ter guerrilhado mais que mochilado. =)

  2. além do relato, cujas informações têm sido bem úteis, também gostei das fotos. parabens pelo excelente trabalho!!

    e que máquina e lente foram utilizadas, nathaly?

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