[texto] sentimento universal

a foto foi tirada no caminho para san rafael, na argentina.
e recomendo que enquanto lê, escute esse som.


só em português, sem tradução. mas é um sentimento universal.
é boa, mas também aperta. um enigma quase indecifrável pra alma.
ultrapassa fronteiras, sem pedir licença, sem ao menos apresentar passaporte.

quem falou que esses viajantes de almas livres não sentem?
talvez mais até do que qualquer um. afinal, o ir, vir, receber e ver partir são verbos comuns na nossa rotina.
e a saudade é substantivo composto de inúmeras lembranças.

quem disse que não dói? quem disse que a gente não sente?
quem disse que não inventamos histórias para essa continuação que as vezes nunca acontece?

talvez fosse legal se eu ficasse. 
nunca saberemos, não dá tempo.
porque, quando essa começa a apertar, nós partimos de novo e novas saudades aparecem.

são amigos, são amores. são culturas, são sabores.
são paisagens, fotos, músicas e rabiscos num caderno que nos fazem voltar no tempo e reviver tudo aquilo, como se fosse agora. até arrepia. são mensagens trocadas, palavras não ditas, abraços em rodoviárias e tchaus pela janela do ônibus. são esses misteriosos e intensos “e se…”.

é sobre pessoas. que são livres para ir – e para, talvez, nunca mais voltar. sobre lugares. nos quais adoraríamos morar, descobrir e construir uma história. sobre músicas e fotos que tiram nossa alma daqui e nos levam pra longe. me fazem voar no tempo, voltar naquele instante que eu queria eternizar. 

poderia ser bom. ou ruim. a gente nunca vai saber. mas pode ter certeza que a imaginação não decepciona: cria histórias lindas pra lugares, braços e momentos para os quais talvez nunca voltaremos.

seríamos.
melhores amigas. ótimos amantes. uma família incrível.
seria.
um bom trabalho. rotina boa. eu faria isso ou aquilo. mais felicidade.
será?

é sobre pessoas. lugares. músicas. comidas. fotos. mas principalmente sobre momentos e sensações.
viajar, que é verbo cheio de incertezas, composto de momentos derivados de lembranças, nos transforma em colecionadores – sem tanta tristeza – dessa saudade, sentimento universal.

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