[texto] deus da trip

na foto, detalhe na janela da casa do meu host em Buenos Aires


“acho que há algum deus da trip nos protegendo. não sei como ainda estou viva!”, disse Clarissa, a menina de 20 e poucos anos que deu carona pra mim e pro amigo Biel de São Sebastião até Caraguatatuba (litoral norte de SP), falando sobre sua viagem de carona pelos EUA. É, Clarissa, saiba que fiquei uns bons dias pensando nesse deus da trip e em como eu, tão cética já faz uns anos, comecei a questionar minhas crenças, filosofias etc por causa do teu comentário. Percebi que há alguma coisa me protegendo e preparando todo o caminho.

“Qual o momento mais tenso da viagem?” perguntou o amigo Dodô.
Pensei, pensei mais um pouco, até gaguejei e contei – não muito segura se era a história mais tensa de toda a viagem – sobre um dia que eu tive que acampar sozinha, a noite e no meio do mato morrendo de medo. “Af, eu tava esperando uma situação de grande risco, sei lá”. Pois é, Dodô. Não passei por nenhum momento assim – acho que foi “culpa” do deus da trip.

“Poxa, to buscando Couchsurfing em Mendoza, mas não encontro…”, comentei aleatoriamente com um amigo. “Eu tenho uma amiga que mora lá!”. E assim consegui não só uma hospedagem, mas uma segunda família numa cidade incrível.

“Acho que a carona pra SP vai aparecer no último instante”, eu disse para o Biel em Ubatuba. Estávamos há umas 2h com o dedão erguido e queríamos chegar em SP no mesmo dia. O mais provável era conseguir carona para Taubaté, acampar lá e no outro dia seguir para casa – mas nem isso tava rolando. “Temos uns 30 minutos ainda de luz, vai anoitecer. Vamos para a outra pista? Talvez seja melhor…” e fomos. E em 5 minutos uma carona direto para São Paulo apareceu. Sorte?

Caronas apareceram quando eu menos esperava. Pessoas me convidaram para suas casas, compartilharam cervejas e até me deram dinheiro de presente – sem eu ao menos pedir. Nunca passei fome. No último mochilão, não estive nenhum dia sozinha. No último minuto, a galera aceitava a solicitação no Couchsurfing. Por quase uma semana, viajei sem nem um tustão no bolso (a grana tinha acabado) e mesmo assim sobrevivi. Mesmo com a previsão afirmando chuva para toda a semana, não caiu nenhuma gota – ao contrário, fez sol. Ufa, poderia citar mais mil exemplos!

Perrengue passo sempre, mas nada que mate – ao contrário, só ensina a viver. E que me faz acreditar, cada vez mais, nesse tal deus da trip – ou sei lá como isso chama. Pachamama*? Universo? Deus? Sorte? Pensamento positivo? O que a gente planta, a gente colhe? Lei da atração? Acaso? Destino? Talvez esse restinho de ceticismo que insiste habitar meu coração, não me permita nomear isso – só sei que existe e tem me protegido.

Há muitas coisas que não posso explicar, por ser humana e limitada. Não sei dizer porque tanta gente sofre, passa fome etc. Só sei que tenho que agradecer: obrigada, deus da tripTudo tem fluído bem. Tudo sob controle. Só gente linda no caminho.


E espero ser tão bacana com o mundo, quanto ele tem sido para mim. 


*Pachamama: mãe terra.

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3 thoughts on “[texto] deus da trip

  1. Nossa, sei bem como é. Costumo pensar que o anjo da guarda dos viajantes tem asas enormes e bem fortes… E acho sinceramente que Deus gosta da gente!
    E, como você, sinto que preciso retribuir – devolver, na verdade – esse bem-querer que a vida tanto me deu.

    Adorei seu blog. 🙂 May the road rise with you!

    1. Lindo receber a sua mensagem, Camila!
      Exatamente assim que me sinto! Tenho essa necessidade de devolver essa sorte pro mundo e acho que faço isso escrevendo rs

      Feliz aniversario atrasado! hahaha

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