[texto] Bem-vindos à Sergipe!

Para escutar antes ou depois de ler.


Posto Reforço 2, Umbauba/Sergipe – Junho/2015

O dia anterior não foi dos melhores; foram quase 8h sem sucesso debaixo de sol tentando avançar alguns quilômetros. Pelo menos a noite acampados no gramado no fundo do posto foi suficiente para acordarmos mais empolgados e otimistas nessa manhã nublada de sábado.

Comemos os pães puros que pedimos ganhamos na lanchonete, tomamos o café-preto-cortesia que é oferecido aos caminhoneiros, posicionamos as mochilas e erguemos o dedão por meia hora até a primeira carona do dia aparecer. Gabriel, jovem de cara fechada que já foi logo aumentando o som quando tentamos contar nossa história – é costume, Gabriel; gostamos de contar a nossa história e conhecer a dos motoristas pra passar o tempo e criarmos novas amizades. Mas foi assim, quase em silêncio que seguimos até Alagoinhas, 50km a frente. Quase. Wesley Safadão cantava no rádio do pequeno carro e embalava a viagem até o nosso próximo destino.

Isso é Nordeste. Isso é Brasil. Wesley Safadão dizendo que se quisesse poesia, escutava Roupa Nova ou Djavan; ele queria mesmo era curtir solteiro na balada – tá nem aí pra nada! É isso, Safadão. Eu também.

Energizada pelo ritmo, paramos num grande posto. Nos protegemos de uma leve chuva. Conseguimos uma marmita boa por R$5 e uma sacolinha de farinha, dessa bem baiana pra misturar ao arroz-feijão-macarrão. E uma carona que eu pedi aos céus. “Por favor, que a próxima seja com uma pessoa bem animada, que goste de ouvir a nossa história e de contar a dela”. Marcos apareceu, biruta que só. Nos deu carona até o pequeno Sergipe, boas risadas, um papo ótimo, café, vale-banho (será que foi indireta pra nos dizer que estávamos fedidos? Hehehe), vale-lanche e seu whatsapp, pra manter contato e trocar imagens da estrada.

Nossa Senhora, no caminhão do Marcos
Nossa Senhora, no caminhão do Marcos

O banho, de ficha, durou oito minutos contados pelo sisteminha, suficiente pra tirar o suor e a canseira do corpo. O café-da-tarde, recém colocado na lanchonete do posto, era pra dar sustância. Café com leite, pão francês com manteiga, bolo, frutas, ou seja, café da tarde – até então – tradicional? Que nada. BEM VINDOS AO NORDESTE. Cuscuz, moela, mandioca, carne cozida, farofa e aquele molho de pimenta arretado. Pra complementar, já que estávamos na ostentação, uma coca-cola da garrafa de vidro, muito mais gostosa que a lata, e o jogo do Corinthians x Internacional. Da mesa do lado, o garçom ia tirando um pedaço de bolo abandonado. “Daqui moço, que eu como”. Só faltava mesmo isso pra terminar de adoçar o dia.

Com pimenta!
Com pimenta!
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