[dicas] De CLT a Freela: como foi chegar até aqui?

Em 2016 eu decidi sair do mundo CLT para tentar a vida freela/autônoma. Muita gente [como eu achava] acha que trabalhar de casa é o paraíso. Muita gente acha que foi do dia para a noite que cheguei onde estou e não sabe nada sobre o caminho até aqui.

Por isso, decidi escrever sobre isso em detalhes – pra ajudar os curiosos e àqueles que querem deixar a CLT  em busca de mais autonomia. 

 

ANTES DE QUALQUER COISA

 

Ser freela/autônoma não é um mar de rosas. Ser sua própria chefe tem coisas boas e ruins assim como ser CLT [gente, CLT tem Vale Refeição!!!!! saudades, VR]. Por isso:

>> descubra seu estilo de vida, suas prioridades e veja se você QUER ser freelancer/autônoma. pese os prós e contras. veja se essa é a solução, porquê as vezes não é. as vezes ser CLT vai ser melhor pro seu objetivo de vida

>> no começo foi bem difícil lidar com a ansiedade de virar autônoma, afinal, o salário vai variando e o medo de não pagar as contas muitas vezes batia às 04h da manhã. é aí que entra o ponto “tenha uma vida saudável” lá no final desse post.

>> já quis voltar pro CLT várias vezes. inclusive, embora eu trabalhe de casa, hoje presto serviço pra uma empresa – ou seja, eu tenho um salário fixo, porque esse foi o equilíbrio que considero ideal pra mim. o ponto é: saber quais são seus objetivos vão te ajudar a aguentar firme quando as coisas ficarem mais cansativas.

>> cliente as vezes é chato. ser autônomo não significa fazer o que você quer. é liberdade, mas não muito. calma aí.

[qualquer coisa que eu lembrar e considerar importante, eu adiciono a esse post depois! se você quiser acrescentar algo, comente nesse post!]


FASE 1 – A DECISÃO

Primeiro de tudo: virar freela não foi uma decisão que tomei do dia pra noite.
Como eu disse ali em cima, existiu um caminho até a estabilidade da vida freela e ele não começou no dia em que deixei meu trabalho CLT. Começou antes, bem antes.

Eu trabalho desde os 15, sempre em escritórios. de alguma maneira, eu nunca me encaixei nessa rotina. Mesmo lugar de trabalho todos os dias, mesmas pessoas, algumas mesmas pessoas com quem eu tinha que ser simpática e, como eu sempre morei longe dos grandes centros, a locomoção que era extensa [quase sempre 3h ida x volta] . Junto a isso, a falta de flexibilidade também me tirava do sério – e não falo só da flexibilidade de horário, mas de poder escolher de onde trabalhar e com que roupa trabalhar também.

<<aprender a confiar em mim e no que eu faço>>

Além de perceber que ter uma rotina de escritório não funcionava pra mim, eu tive um processo até confiar no meu trabalho.

Pensar em me livrar do escritório era difícil porque eu tinha medo de não conseguir, das pessoas não gostarem do que eu fazia. Eu não confiava no meu trabalho.

Precisou que um antigo colega de trabalho, num desses reencontros de firma, me dissesse “ué, você ainda não é freela? seu trabalho é bom e esse é o futuro” pra que eu começasse a olhar meus frutos de uma outra forma e decidisse arriscar.

Então, com seis meses de antecedência, avisei no meu trabalho que eu ia sair pra virar freela e fazer um intercâmbio [que não rolou]. E aí veio…


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FASE 2 – O PLANEJAMENTO

Mas, gente, por que pedir demissão com tanto tempo de antecedência? Virar autônoma, empreender e muitas outras coisas na vida precisam de planejamento, e isso não é algo que fazemos do dia pra noite. Demanda tempo, é necessário pensar, calcular possíveis riscos, possíveis caminhos e então, seguir.

>> O primeiro passo pra isso tudo eu já tinha dado, que era pedir demissão – ou negociar a saída com a empresa, como eu fiz.

Dica #02: rescisão e seguro desemprego podem ser grandes aliados pra você começar uma vida autônoma.

>> O segundo passo [no caso da minha profissão, de designer] era comprar os equipamentos necessários pra eu trabalhar de casa. Afinal, como eu seria designer autônoma, se eu não tinha um computador decente pra trabalhar?

Então, aproveitei meu salário de CLT e parcelei o computador. Depois, comprei a tablet e assim fui indo. Investimentos para meu futuro não-tão-distante. O universo ajuda, mas você pode dar uma mãozinha né?

>> O terceiro passo – que não precisa estar nessa ordem, é juntar um dinheiro para você ter uma segurança, caso seus planos de ser autônoma não funcionem.

Todo recomeço é um risco. Nada é certo. Pode dar bom, pode dar ruim. Considere e se planeje para os dois cenários.

Então, quanto antes você conseguir se planejar, melhor.

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ALÔ MEU POVO, TO DISPONÍVEL PRA FREELA, ME CONTRATEM

FASE 3 – OS CLIENTES

Essa era uma grande questão: eu tinha portfólio [ou seja, um monte de projetos que eu já tinha feito pra poder servir de referência do que eu sei fazer], mas não tinha clientes. Esse era mais um grande medo. Então, como conquistá-los?

Essa tarefa entrou pra lista antes mesmo de eu sair da empresa. Afinal, já queria sair com uma certa tranquilidade. Então, antes de ficar apenas com meus clientes, eu passei alguns meses bem tenebrosos – de muitas tarefas no meu trabalho durante a semana e com os freelas a noite e finais de semana.

<<Divulgue o Seu Trabalho>>

Grite para os quatro cantos que você está disponível para freelas. Conte pras pessoas o que você faz, quem você é. Divulgue seu portfólio. Faz textão no Facebook, stories no Instagram, avisa a sua mãe, a vizinha, a tia, os primo, as amigas…AVISA AS PESSOAS COM QUEM VOCÊ JÁ TRABALHOU [e pra quem já fez um bom trabalho, né?! – muitos antigos chefes me indicaram pra possíveis clientes].

No meu caso [designer], ajudou MUITO fazer isso. Sempre tem alguém precisando de um cartão de visita e o marketing boca-a-boca pode ser um grande aliado. Como que as pessoas vão lembrar de mim pra fazer o material delas, se elas NEM SABEM O QUE EU FAÇO?

<<Tenha Um Portfólio>>

Portfólio pode ser um behance, no caso de designers, uma página no Facebook, uma apresentação em Power Point…ou qualquer coisa que mostre o que você é capaz de fazer ou o que você já fez.

Se você não fez nenhum projeto até agora, comece com projetos fantasmas – uns projetos que não existem, mas que vão dar ao cliente uma noção do que você pode fazer – ou leia o próximo item.

É muito importante que as pessoas tenham referência do seu trabalho, da sua competência e do seu comprometimento.

Isso, junto com boas referências são muito importantes. Hoje em dia tem muita gente não comprometida e que deixa o cliente na mão. Então, é muito importante que o cliente saiba muito sobre a sua maneira de trabalhar.

<<Comece com Pequenos Projetos>>

É muito difícil começar com projetos de grandes clientes ou que vão lhe dar muito dinheiro. Você pode tentar – sempre! Mas, não ignore os clientes pequenos, aqueles que também estão começando, aqueles que muitas vezes não te dão nenhum status ou muito dinheiro. Esses projetos são valiosos.

Recomeçar uma trajetória é entender que, muitas vezes, você vai ter que começar lá de baixo – e não há problema nenhum nisso. Mas, tem muita humildade e respeito pelo caminho a frente.

Por que projetos pequenos são importantes?

Porque eles vão te dar o famoso know how, ou seja, você vai aprender na prática quanto custa seu trabalho, quanto tempo demora pra fazer, vai melhorando seus processos com o cliente, afinando seu contrato, melhorando as falhas etc etc etc.

Muito melhor começar fazendo um pão, do que um banquete, certo?

Além disso, esses clientes entram no portfólio e vão te indicando para outros futuros clientes. Há quem jogue pedra em mim por isso que falo – afinal, trabalhar de graça as vezes é difícil. Mas, muitos trabalhos que fiz na “brotheragem” ou no escambo ou cobrando muito pouco, me renderam grandes projetos no futuro.

A diferença é saber quando e pra quem fazer isso.


Tá, tá! Você quer saber onde encontrar esses clientes, né?

Cada área tem seu canal, portanto, vou falar a quem posso: aos designers & gente do meio.

>> Sites de Freelas como o Workana e 99 Freelas me renderam alguns clientes e know how [conhecimento]. Normalmente, o preço pago por esses clientes é pouco, mas pode te ajudar bastante – dependendo do seu objetivo. Envie propostas, vai tentando.

>> Grupos de Facebook como o Compro de Quem Faz das Minas, Feministrampos, Profissionais/Vagas Feministas, Design das Manas me ajudaram muito. Não tenha medo de fazer textão e divulgar o seu trabalho.

>> Escambo grupos como o Escambo das Minas me mostraram que a troca é um outro tipo de moeda. Enquanto eu tinha uma outra renda ou quando é interessante pra mim, eu me permito escambos – ou seja, eu troco meu serviço pelo serviço ou produto de outra pessoa. Já fiz troca de serviços por ovo de páscoa, bicicleta, sessão de terapia, aulas de yoga etc.

O escambo, muitas vezes, encurta processos e mostra que o dinheiro nem sempre é necessário [mas, é importante ter dinheiro pra pagar as contas, né? hehe]. Isso abre caminhos e oportunidades. Às vezes, a pessoa gostaria de ter um cartão de visita, mas porque não tem dinheiro, mas faz ovos de páscoa, que você iria comprar pra dar pra sua família. Então, por que não?

Além disso, um escambo bem-feito, abre portas para indicações. Já consegui vários projetos vindos de indicações de escambos passados.


FASE 4 – NA PRÁTICA

Quando o negócio começa DE VERDADE, você vai ver que a vida autônoma/freela não é tão linda quanto dizem. É difícil, da medo, da insegurança… quantas vezes não acordei de madrugada com medo de não conseguir? lembrando daquele projeto que precisava terminar? pensando no cliente que não me pagou? Por isso, além de planejamento, dá uma olhada nessas dicas que podem te ajudar!

<<Tenha Disciplina>>

A vida de freela/autônoma pode parecer um oba-oba, MAS NÃO É. Mais do que nunca é necessário ter disciplina, afinal, você é sua própria chefe agora. Não vai ter ninguém ditando suas tarefas, lembrando você de prazos ou negociando com o cliente. Agora é você por você. Por isso, se organizar é muito importante.

<<Tenha uma Vida Saudável>>

Eu não tô falando de comer só vegetais ou de emagrecer. Eu tô falando de dormir bem, se alimentar bem e lembrar de se exercitar de vez em quando – a disciplina entra aqui também.

Se você não dormir ou comer bem, provavelmente você não vai ter energia para fazer bem seus projetos é possível que você esqueça de algumas coisas, não preste atenção em detalhes e que a procrastinação seja sua melhor amiga, além da irritação ser uma constante.

Um dia ou outro é normal dormirmos menos ou comermos mal, mas se isso virar sua rotina, vai ser difícil fazer um bom trabalho e ser lembrada como uma boa profissional, né?

Se exercitar parece dica de adulto [quem diria que eu estaria dizendo pra alguém se exercitar], mas é importante porquê não teremos 25 anos pra sempre. E, no caso do meu trabalho [sentada, de frente pro computador], uma hora o corpo reclama. Eu tenho um escritório montado, mas as vezes minhas costas ainda doem. Então, relaxar – seja correndo, nadando, pedalando, fazendo yoga etc é muito importante pro seu corpo relaxar e se recuperar.

<<Organize Seus Horários>>

No começo pode ser ótimo ir dormir 03 da manhã e começar a trabalhar às 13h. Mas, com o tempo você vai ver que dormir bem ajuda muito num bom andamento do seu trabalho [como dito acima] e IMPORTANTE: você vai perceber que o horário comercial continua existindo.

Ahá, você achou que ser freela era trabalhar quando quiser????Nem sempre. Afinal, muitos dos seus clientes e fornecedores ainda trabalham no esquema 08h às 18h / segunda-sexta. Claro que você vai ter mais flexibilidade, mas é bom lembrar que horário comercial é importante para resolver pendências, fazer reuniões etc!

Além disso, no começo da vida autônoma, é meio normal a gente querer trabalhar demais. Porquê se trabalhar = dinheiro, quanto mais tempo eu trabalhar, mais dinheiro eu vou ter. Né? Não. Nem sempre é assim.

As vezes a gente se ilude com essa ideia e trabalha mais do que deveria por dia [já falei que descansar o corpo é importante né?], gasta tempo em coisas que não são importantes e desgastamos o cérebro e corpo. Experiência própria! Ter horários pra trabalhar e trabalhar uma média de 8h por dia [as vezes mais as vezes menos] é bem saudável e muitas vezes mais rentável do que trabalhar 12h seguidas.

<<Organize as Tarefas Diárias>>

Falando em horas de trabalho, é importante se organizar dia-a-dia, pra não ficar perdido.  Muitas vezes, também, a gente fica meio desesperada com o tamanho dos projetos ou com a quantidade de coisas a fazer – porque estamos olhando para o todo, para o resultado final e não para a trajetória até lá.

Por isso, trabalhe com listas de tarefas, defina prazos [e cumpra-os!], tenha uma agenda ou use a agenda do Google, use post-its, tenha uma lousa branca em casa, use ferramentas como o Trello ou o Taskrow . Não confie na sua mente; ora ou outra você vai esquecer de um detalhe e isso pode ser crucial.

<<Confie, mas Tenha Garantias>>

As vezes pode aparecer alguém que não vai te pagar ou que vai dificultar o seu processo. De preferência, não confie em ninguém. – mesmo naquele amigo de infância. Claro, seja gentil, mas tenha suas táticas para garantir que tudo vai correr bem. Além de garantir seus direitos, ter um processo claro e justo passa credibilidade ao cliente, te diferencia como profissional.

Você pode, por exemplo, exigir 50% do pagamento antes de começar qualquer atividade. Pode elaborar um contrato básico e pedir para o cliente assinar e enviar por e-mail. Ou qualquer outra maneira que garanta seus direitos e mostre seus deveres; tudo sempre às claras. É muito importante para não ter dor de cabeça.

<<Seja Responsável>>

Construir uma boa história honestamente não é tão difícil. Não precisa ser corrupto ou pisar nas pessoas pra chegar em algum lugar.

>> Seja uma boa profissional. Tenha um diálogo com seus clientes. Crie laços.

>> Estabeleça prazos justos e cumpra-os. Se não for conseguir cumprir, seja honesto com quem está confiando em você. “Dar jeitinho” quase sempre não é uma boa solução.

>> Criar um contrato [como dito no item anterior] além de garantir seus direitos, passa uma credibilidade ao seu cliente. Se não souber como fazer isso, quando possível procure uma profissional que o faça.

<<Esteja em Dia com a Lei>>

Esse item anda de mãos dadas com o anterior. As leis existem e feliz ou infelizmente precisam ser cumpridas. Regularize-se. Crie um CNPJ. Emita Notas Fiscais. Pague o Imposto de Renda, se necessário. Faça a Declaração Anual de MEI. Tenha uma contadora, se precisar.

Estar em dia com a lei garante os seus direitos também [por exemplo, pagar o MEI todo mês garante a sua aposentadoria, você pode se afastar caso fique doente, tem licença maternidade etc]. Se não souber como fazer isso sozinha [tem bastante coisa na internet que ajuda], quando possível procure uma profissional que o faça.

<<Tenha um Bom Local de Trabalho>>

No começo, foi meio difícil porque eu trabalhava em casa – na escrivaninha do quarto ou na mesa de jantar. Desconfortável, mas era o que tinha. Aos poucos, fui montando meu escritório [primeiro a mesa, depois a cadeira, monitor maior etc], mas, enquanto não podia [$$], eu buscava alguns coworkings [espaços de trabalhos compartilhados] ou cafés gratuitos pela cidade.

Em São Paulo, por exemplo, tem o Google Campus e vários Starbucks pela cidade. No Rio, tem o CCBB, o Café Baroni, a Biblioteca Parque Estadual [na Central] etc. Você pode ir em universidades, em bibliotecas…joga no Google aí e logo você vai achar um resultado mais próximo de você – até o momento em que você vai ter seu próprio escritório ou vai alugar um coworking.

<<Evolua>>

Faça cursos. Melhore seus equipamentos. Tente novos projetos. Esteja atento ao que acontece no mundo – seja sobre assuntos da sua área ou não. Quem não evolui, fica para trás. Desinformado, fica para trás.

<<Voe Cada Vez mais Alto>>
Com o tempo, com a confiança e conhecimentos conquistados, tente ir além. Viver é sempre sair da sua zona de conforto, é estar sempre na zona de confronto com o mundo, com você mesmo e com o impossível.

Tente contato com clientes maiores. Tente projetos desafiadores. Tente parcerias.

Esteja sempre atento, saiba qual é a sua capacidade, mas desafie-se. Tente. A vida é cheia de tentativas – que as vezes dão errado, mas as vezes dão certo. Você só vai saber tentando.


Calma, calma! Parece muita coisa né? E é mesmo. Mas, não adianta se desesperar. A autonomia [quase sempre] vem aos poucos. Dê um passo de cada vez. Acredite e tente. E mais importante: dê o primeiro passo. Na medida do possível [e as vezes do impossível], arrisque-se.

Se você tiver alguma dúvida ou queira sugerir algum tópico que não foi abordado aqui, entre em contato. Essa vida é sempre aprendizado.

Em breve, os prós e contras de trabalhar de casa.

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